07/07/2021

Skate Pós-Olimpíadas: Como impactou de maneira geral?

Em 2021 um novo capítulo na história do esporte mundial foi escrito. Pela primeira vez pudemos ver o skate nos Jogos Olímpicos!

A inclusão  faz parte do esforço do Comitê Olímpico Internacional (COI) em modernizar os jogos e levar o espírito olímpico para mais perto das novas gerações. As modalidades escolhidas para estrear em Tóquio foram o street e o park. Ambas contam com nomes brasileiros de destaque no cenário. Não à toa o nosso país fez bonito na competição e levou três medalhas. 

Esse sucesso trouxe novas perspectivas para o futuro do esporte no país que já começa a colher os frutos do evento pouco tempo depois da sua estreia. 

Continue aí, porque a gente vai mostrar alguns dos impactos deixados pelas Olimpíadas no skate. 

 

Apesar do receio inicial, o Time Brasil de skate foi um sucesso!

Como toda novidade, a inclusão do skate no programa olímpico foi recebida com certo receio por parte da comunidade. Entre debates e controvérsias ficava a desconfiança sobre a pontuação, o sistema de julgamento e o formato da competição. Além disso, a grande questão para  muitos estava ligada à essência do skate. Diferente de outras categorias, o skate não é apenas um esporte, é também um estilo de vida que vai muito além de disputas. Podemos dizer, até, que os campeonatos são uma parte muito pequena desse universo. A liberdade e o companheirismo das ruas são os protagonistas aqui.Colocar toda essa cultura dentro de uma caixinha para encaixá-la nos padrões olímpicos causou um sentimento de contrariedade e até indiferença de alguns skatistas. Apesar de tudo, depois de muita preparação e divulgação por parte da imprensa e das Confederações de Skate, a ideia de ver uma cultura urbanizada na maior competição esportiva do mundo começou a entusiasmar os mais desconfiados. 

 

Chuva de medalhas 

Antes mesmo de estrear as expectativas para a competição já estavam altíssimas. A conquista de muitas medalhas foi dada como certa graças a presença de nomes como Letícia Bufoni, Pedro Barros e Pamela Rosa.

Bom, os resultados não decepcionaram. 

 

Ao todo, foram três medalhas de prata conquistadas por Kelvin Hoefler e Rayssa Leal, no street, e pelo multicampeão de park, Pedro Barros. 

 

Repercussão na internet

Nas madrugadas do skate nas olimpíadas só se falava disso nas redes sociais. Entre posts, fotos e stories, um público bem diferente do habitual  torcia pelos nossos skatistas como se fosse uma final de Copa do Mundo. Artistas, anônimos de diversas classes sociais e outros atletas incentivaram os skatistas brasileiros e secavam os adversários. 

Rayssa Leal, a nossa Fadinha, foi a atleta mais mencionada no Twitter.  Para se ter uma ideia, ela ficou à frente da ginasta americana Simone Biles, que ficou em segundo lugar. Além da Rayssa, outra coisa que impressionou  a quem assistia foi o clima de descontração entre os competidores. O que esse novo público viu pela TV foi uma amostra do que acontece há décadas. A união e ajuda mútua é um dos pilares da comunidade do skate. Essa amostra, inclusive, conquistou o Brasil. A torcida pelos oponentes e as palmas, sorrisos e gratidão, mesmo daqueles que perderam, ficou marcado como um dos grandes momentos de Tóquio 2021. 

 

O que podemos esperar para o skate pós-olimpíadas?

Agora que você já sabe um pouco do caminho percorrido pelo esporte até Tóquio, chegou a hora de mostrar como será o futuro. Ou melhor, como o futuro já está acontecendo. 

 

Novos conceitos 

Antes dos Jogos Olímpicos boa parte da população brasileira via o skate com preconceito. Para ser claro, skate era sinônimo de vagabundagem. Essa visão não é algo recente. Durante anos tudo o que era relacionado a esse modo de vida provocava a antipatia geral. 

Nos anos 80, por exemplo, andar de skate na cidade de São Paulo foi proibido. Quem fosse pego corria o risco de ser preso. Além disso, parques e pistas são frequentemente demolidos ou abandonados pelas autoridades. Com a importante vitrine e um público cada vez mais abrangente, o conceito da população está mudando e o skate tem sido visto como cultura de rua e não marginalidade. A esperança é que os futuros skatistas tenham mais liberdade para continuar ocupando os espaços públicos e recebam mais apoio para permanecer no esporte. 

 

Aumento da procura por aulas  

Um dos efeitos imediatos da participação do skate brasileiro nas Olimpíadas foi o aumento da procura por aulas. Algumas escolinhas, como é o caso do Grito Skate Clube, que fica no Ipiranga, São Paulo, não param de receber pedidos de pais querendo matricular seus filhos. Em reportagem do UOL, Guilherme Tremante, dono da escolinha, afirmou que em uma semana foram 12 novos alunos e cerca de quatro mensagens de interessados no Instagram todos os dias. 

A popularidade se estendeu também para projetos sociais como o do nosso parceiro, Sandro Testinha. Parte das crianças atendidas esse ano pela ONG Social Skate começou a frequentar as aulas após uma “Olimpíada Local” realizada na comunidade Calmon Viana, uma semana antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

 

Para Testinha, as Olimpíadas colocaram não só o skate mas a própria ONG em evidência. 

"A comunidade em geral achava que era para botar a galera para brincar de skate. Agora é: 'caramba, alguma pessoa dali pode ser a Fadinha daqui a uns anos'. Eles começaram a ver de outra forma, porque achavam que era brincadeira, passatempo, e passaram a ver como uma coisa mais séria”. 

Testinha prevê que poderá atender até 180 alunos, 30 a mais do que a média de alunos da ONG antes das Olimpíadas.

 

 

Aumento nas vendas de artigos para skate

Se  há o aumento de praticantes, há também o aumento da procura de equipamentos adequados. Na primeira semana de competições nas Olimpíadas, a procura por artigos de skate na internet aumentou 50% em relação à semana anterior e 12% de alta no faturamento. O aumento das vendas em plataformas como Mercado Livre e OLX foram as maiores da histórias desses sites.

Outro dado impressionante vem da Nike. Segundo a marca esportiva, a procura por itens da modalidade aumentou cerca de 700% nos dias seguintes à vitória da Rayssa, sua patrocinada.

O reconhecimento do skate como prática esportiva deve manter esse boom de vendas por um longo período.

 

Investimento em infraestrutura 

Historicamente, os espaços usados para andar de skate sempre existiram sob a ameaça de destruição ou sucateamento. Isso porque, pistas e parques são frequentemente esquecidos quando se trata de projetos de revitalização e urbanização. Com a aproximação da estreia nos Jogos e o aumento na repercussão midiática, alguns projetos e inaugurações de novas pistas começaram a pipocar por todo o Brasil. Recentemente, em fevereiro, uma pista foi entregue no Vale do Anhangabaú. O espaço fez parte da revitalização do local, que, inicialmente, excluiu a pista do projeto final.

Em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, a primeira pista de skate da América Latina será reformada após 45 anos de sua inauguração. A ação faz parte da modernização da Praça Ricardo Xavier da Silveira, onde está localizada. O objetivo é atrair novos praticantes e ajudar a formar futuros campeões do esporte.

 

Futuros campeões 

Todas estas mudanças e investimentos levam ao caminho de novas conquistas. A expectativa da Confederação Brasileira de Skate (CBSK) é que com a popularização do esporte, novos campeões surjam no futuro. Para garantir que isso aconteça, a CBSK, em parceria com a prefeitura de Campinas, o Ministério da Cidadania e Secretaria Especial do Esporte, irá construir na cidade o Centro Olímpico voltado para o skate. Serão mais de 3.100 m² que contarão com pistas de street, park e half pipe, além de locais para atividades administrativas e multidisciplinares (academia, fisioterapia e alojamentos). Se tudo der certo, os skatistas poderão se preparar para Paris 2024 já no centro olímpico. 

 

Futuro dourado

Como você pôde ver, o futuro do skate promete ser grande! O respeito internacional conquistado pelos brasileiros nos últimos anos ao encabeçar inúmeras finais de mundiais e X-Games agora chegou em nosso país. O skate nas olimpíadas veio para mostrar que mais do que um esporte, essa cultura também é ferramenta para a transformação social e econômica do nosso país.